Opinião Emerson Souza Gomes: A Arte, o humor e a xurumela – Cena Jurídica

Opinião Emerson Souza Gomes: A Arte, o humor e a xurumela

Emerson Souza Gomes, advogado especialista em direito empresarial, sócio da Gomes Advogados Associados, email emerson@gomesadvogadosassociados.com.br, fone (47) 3444-1335

Por Emerson Souza Gomes

Não me venha com xurumelas…

… Nada mais desastroso do que uma “piada velha”.

Para-raios

Apesar do conceito de arte ser controvertido, arrisco que a arte é a quintessência da expressão humana. O artista é uma espécie de para-raios. A sensibilidade dos grandes artistas traduz o sentimento de um todo, de um tempo e, para aqueles de vanguarda, de um todo e tempo futuros. Eis aí uma razão para dizermos “não à censura”. Sem liberdade de expressão artística não há desenvolvimento cultural e, por conseguinte, avanço no padrão civilizatório.

Abusados

A violência, o sexo, a traição, dentre outros, são insumos da criação artística. Assim, o artista não está escape de dar uma fraquejada e ir um pouco além da conta. No humor, não ocorre de outra forma – e é por isso que existem piadas de mau gosto. – O abuso do exercício de um direito tanto pode acontecer entre vizinhos como em uma comédia. Se sentimos ojeriza da censura, o artista também se vê obrigado a responder pelo uso abusivo da sua liberdade de criar, podendo responder por danos à imagem, à honra e à moral.

Virando a piada velha do avesso

O humor é a forma mais popular de expressão artística. – Ninguém resiste a uma boa piada. – Desde Moliére a crítica é uma ferramenta poderosa nas mãos e nas línguas de humoristas e comediantes apontando comportamentos sociais inadequados ou desmandos da classe política. Mas quando viramos piadas do avesso, também podemos nos deparar com preconceitos. Loiras, judeus, gaúchos, mulheres, portugueses, japoneses, papagaios, enfim, há um sem número de piadas velhas, e, em parte delas, há quilos, toneladas, arrobas de conteúdos pesados…preconceituosos.

O riso é natural, mas insistir no riso, não é

Em Roma, aja como os romanos, isto é a ética. O problema é que vivemos no Brasil onde há padrões éticos para dar com o pé e raquete. Somos diferentes ao entrar, ao permanecer e ao sair dos lugares da vida. Se o humor não merece censura, “piada velha” merece. A reprimenda a comportamentos que exteriorizam conteúdos inadequados deve partir da sociedade e dos grupos que a compõe; até que deixem de ser risíveis determinadas piadas, já que o riso é natural, mas insistir no riso: não é.

Humor mau e mal-humor

Quando se vai discutir a graça de uma piada no Poder Judiciário, está-se abrindo um caminho reto, plano e sem radares para cercear a liberdade de opinião – muita tragédia começa na brincadeira. – Somente na exceção é que se deve colocar o artista no banco dos réus. O Estado não deve julgar aquilo que a sociedade deve julgar. O Judiciário não é lugar para piadas. Tanto o humor mau como os mal-humorados não têm graça alguma para juízes…

O maior espetáculo da terra

… É que não há espaço para comediante no Estado. O Estado não é palco e nem plateia. Não é lugar para rir e nem para fazer comédia. E não venha com xurumelas!…

…Nada mais desastroso do que uma “piada velha”.

Artigo originalmente publicado no jornal Folha Babitonga

Emerson Souza Gomes, advogado especialista em direito empresarial, sócio da Gomes Advogados Associados, email emerson@gomesadvogadosassociados.com.br, fone (47) 3444-1335
Emerson Souza Gomes, advogado especialista em direito empresarial, sócio da Gomes Advogados Associados, email emerson@gomesadvogadosassociados.com.br, fone (47) 3444-1335
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