Opinião Emerson Souza Gomes: Coronavírus e HIV: uma reflexão – Cena Jurídica

Opinião Emerson Souza Gomes: Coronavírus e HIV: uma reflexão

Emerson Souza Gomes, advogado especialista em direito empresarial, sócio da Gomes Advogados Associados, email emerson@gomesadvogadosassociados.com.br, fone (47) 3444-1335

Por Emerson Souza Gomes

Em menos de 50 anos o mundo foi pego de surpresa por duas pandemias. O HIV atacou o sistema imunológico e o coronavírus, o sistema de saúde. Olhando a fundo, entre macacos e morcegos, dois fatores necessários à perpetuação da espécie foram colocados na berlinda: a reprodução e o meio ambiente. Não podemos brincar com a ameaça dos vírus…

…O que será dos dinossauros no século XXI!

Macacos me mordam: o fim da história

A partir da década de 80, a globalização era um caminho sem retorno. Os estados deixariam de ser “nações” para se transformar em “noções”. Com a queda do Muro de Berlin, apregoava-se a vitória irrestrita da doutrina liberal. Era o fim da história e os EUA consolidavam a sua posição hegemônica do pós-guerra com autorização para levar democracia e livre mercado a qualquer canto do mundo. Nesse contexto unilateral, ao contrário do coronavírus, o HIV não sofreu politização. Ainda que de modo tardio, as nações do mundo civilizado reconheceram que não deveriam discutir macacos e uniram esforços para combater a AIDS.

Santa etiqueta, Batman

Mas não é uma tarefa fácil administrar o mundo e cuidar dos chineses. A imprudência dos EUA, e da desindustrialização, contribuíram para que ouvíssemos mais mandarim e falar de morcegos. Temos que dar o braço a torcer e reconhecer a importância dos direitos humanos, pois foi também por ter um regime avesso aos direitos humanos que fez a China assumir o lugar da esfacelada URSS. O resultado desastroso disso é a tentativa atabalhoada de recrudescer a doutrina do estado nacional: isolacionismo, extremismo, populismo, tudo com etiqueta made in Tio Sam! O coronavírus nos tomou de surpresa, a saúde foi politizada, a ciência foi desacreditada: economias e pessoas passaram a morrer.

Nada de novo normal sob o sol

O temor do comunismo pode levar a um flerte com o totalitarismo. Mas a melhor vacina contra qualquer coletivismo fantasioso é a presença do estado assumindo o papel de concretizar direitos humanos de forma responsável e ativa. Ao seu turno, revoluções burguesas sempre serão setorizadas. Tão impraticável quanto uma revolução mundial operária é uma revolução mundial liberal – já está provado a história não ter um fim. – Da Aids à Covid-19 temos a oportunidade de aprender de vez: não existem doenças exclusivas de homossexuais; não só idosos morrem de gripe; Estado e Mercado são dois males necessários; a ameaça não é o comunismo: é fazer dos Direitos Humanos recurso de retórica. Nada de novo normal sob o sol.

O que será dos dinossauros no século XXI

A par de que o mundo, no início deste século, deve, urgente, repensar a noção real e atual da democracia, a finalidade do capitalismo e a concretude dos direitos humanos, findando este panfletário, estar no século XXI é estar no olho de um furacão; entre a ameaça do choque de um asteroide ou de explodirem um átomo na esquina, nós, os dinossauros, temos francas chances de antes nos depararmos com macacos com asas de morcego…. Mas com alguma racionalidade, ciência e boa sorte, teremos para isto vacinas, sim…

…esperamos ter vacinas!

Artigo originalmente publicado no jornal Folha Babitonga

Emerson Souza Gomes, advogado especialista em direito empresarial, sócio da Gomes Advogados Associados, email emerson@gomesadvogadosassociados.com.br, fone (47) 3444-1335
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