Opinião Emerson Souza Gomes: Regressistas e libertinos – Cena Jurídica

Opinião Emerson Souza Gomes: Regressistas e libertinos

Emerson Souza Gomes, advogado especialista em direito empresarial, sócio da Gomes Advogados Associados, email emerson@gomesadvogadosassociados.com.br, fone (47) 3444-1335

Por Emerson Souza Gomes

Sempre houve conflito entre gerações. Mas é no encontro entre o velho e o novo que a tradição é colocada à prova.

Uma herança valiosa

“Tradição” vem do latim traditio, refere-se a algo que é passado, transferido, no caso, a outras gerações. A palavra é empregada de formas variadas. Nas ciências e nas artes, a tradição é composta, e muito, por técnicas que são incorporadas ao mainstream e que, preferencialmente, devem ser dominadas por profissionais. O ponto de fuga na pintura e a escrita musical, são exemplos. Da engenharia, passando pela medicina, chegando no direito, em todas as academias e áreas de conhecimento, a tradição é ministrada. Gosto dessa abordagem, pois ela elimina muito preconceito. Tradição não é sinônimo de arcaísmo, mas de cultura e experiência transmitida. Tradição é uma herança e valiosíssima.

Cultura & Contracultura

Literatura, cinema, música, são exemplos de fatores que formatam o novo e que, por natureza, é assimilado pela juventude. Não é estranho assim surgirem conflitos entre pais e filhos por conta de comportamentos; por vezes, o conflito se dá de forma coletiva em movimentos culturais ou no que é denominado de contracultura. “Pegue uma mochila e suma no mundo para poder se autoconhecer”, era o que afirmava o niilismo beatnick. “Fique ligado e caia fora do sistema”, o pacifismo hippie alertava. “O governo não vai fazer nada por você. Faça você mesmo”, afirmavam os punks. Ainda que sejamos reativos, em maior ou menor escala, todos esses movimentos influenciaram a sociedade. Mas se há um conflito entre culturas, penso eu, ele sempre será aparente. No final, a tradição assimila o que deve ser assimilado.

A importância do novo

Não só nos EUA, mas pelo mundo afora, movimentos contraculturais assumiram importância decisiva para defesa de grupos até então marginalizados na sociedade. Mulheres, homossexuais, negros, imigrantes, dentre outros, tiveram acesso a direitos civis e a políticas públicas muito devido à contribuição de movimentos protagonizados por jovens. Observando a história, direitos nunca foram concedidos; pelo contrário, direitos foram conquistados. Existe uma luta por direitos, sobretudo, de direitos sociais como leis que preveem sistemas de previdência pública, de proteção a trabalhadores e, já na entrada da década de 60, os tão criticados norte-americanos, em seus movimentos contraculturais, levantavam a bandeira de direitos conhecidos como de terceira dimensão, ou fraternos, como o direito à paz, o direito à democracia, o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e por aí vai!

Conservadores e progressistas

Para alguns, causa admiração existir um conflito atual a respeito de costumes, não só em nosso país, mas em alguns países do mundo. Esse embate entre conservadores e progressistas sempre existiu, mas, francamente, quando a economia não vai bem, é comum esse “diálogo” ser trazido novamente à baila. Uma miscelânea de argumentos morais, fazendo com que a religião entre no campo da política e vice-versa, acaba tomando o cenário de opiniões. Mas como afirmei: se o Estado tem recursos para prover direitos, independentemente de credo, raça, religião, região, enfim, tudo se cala: a denúncia de imoralidades e de achaques à família tradicional, inexiste.

Regressistas e libertinos

Conservadorismo e progressismo fazem parte da tradição da política. São contrapesos que aprimoram a tradição, que a colocam à prova e isto é um “valor” que deve ser preservado, pois é moralmente “bom”. Por outro lado, ainda que aparente tênue a diferença, um conservador não é um regressista, não defende tábuas de passar e tanques de lavar roupa, ao mesmo tempo que, um legítimo progressista, sabe muito bem que a liberdade não é um romance do Marquês de Sade.

Arremate

No mais, depois de um tempo, retornei por aqui. E é sempre uma satisfação…
…espero que também do leitor.

Até a próxima.

Artigo originalmente publicado no jornal Folha Babitonga

Emerson Souza Gomes, advogado especialista em direito empresarial, sócio da Gomes Advogados Associados, email emerson@gomesadvogadosassociados.com.br, fone (47) 3444-1335
Emerson Souza Gomes, advogado especialista em direito empresarial, sócio da Gomes Advogados Associados, email emerson@gomesadvogadosassociados.com.br, fone (47) 3444-1335
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